segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Juventude sem perdão

Aquele “menor”, bem maior do que o menino João Hélio, cujo corpo ele ajudou a espalhar pelas avenidas do Rio e pelo qual se rezam missas de apelo social, vai ficar três anos internado e depois será solto. Resta a dor privada da família, sem importância e sem Viva Rio. Sobre o assassino, vem-se derramando o que Reinaldo Azevedo chamou de “a baba redentora rousseauniana”: ele nasceu bom; foram os insensíveis da zé-lite branca e da classe média, à qual pertencia o menino João, que o tornaram um facínora. Sintomaticamente, a culpa é de quem morre. A mídia se revoltou com a polícia, que obrigou os bandidos a mostrarem os rostos. Não há dúvida: terrível ameaça à privacidade. Era só o que faltava: trucidar o menino João Hélio e ainda serem obrigados a expor a cara... Mas que estarão querendo fazer defte paif?Já não se pode mais nem arrastar uma criança num automóvel e permanecer no anonimato? Para João Hélio, não há Estatuto da Criança e do Adolescente. Não há ONG. Não há música de Chico Buarque. João Hélio nasceu sem perdão.

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