terça-feira, abril 23, 2013

Mallarmé no Brasil: as primeiras aproximações, antes de Mario Faustino, Decio Pignatari e Jose Lino Grunewald

Para compreender a importância do lugar que Mallarmé ocupa na obra dos

concretistas, cabe lembrar que, na primeira metade do século XX, a poesia de Mallarmé e

suas traduções circularam de modo bastante restrito no Brasil.

Araripe Júnior, em 1888, ao se referir ao “verdadeiro grupo dos simbolistas”, declara

que Stéphane Mallarmé é sua “encarnação perfeita” ( GUIMARÃES, 2010, p. 28). É também

numa revista simbolista, Vera Cruz, que, em 1898, Silva Marques publica o primeiro artigo

mais extenso dedicado ao poeta francês, no qual aponta para a “influência benéfica de seu

ensinamento” (GUIMARÃES, 2010, p. 29). Nesse contexto, surgem as primeiras traduções de

Mallarmé no Brasil. José Paulo Paes, em seu histórico da tradução literária no Brasil, assinala

que: “quanto ao paulista Batista Cepelos, parece ter sido o primeiro a traduzir, no Brasil, a

poesia de Mallarmé”, (PAES, 1990, p. 24). sem precisar que poema seria, nem o contexto de

sua publicação. Guimarães, em seu preciso estudo sobre o poeta francês, debruça-se sobre o

assunto, descobrindo no livro de poemas Vaidades, entre os poemas do próprio Cepelos e

outras traduções, a tradução do poema “O azul”, cuja data não se pode precisar, pois “o livro

foi publicado em 1908, mas traz a indicação de que inclui poemas de 1899-1908”

(GUIMARÃES, 2010, p. 17).

A primeira tradução publicada no Brasil não parecer ser, pois, a de Cepelos e sim a do

poema “Tristesse d’été”, “feita por Escragnolle Dória e publicada com o título ‘Tristeza

Estival’ na revista carioca Rua do Ouvidor, de 11 de maio de 1901”, (GUIMARÃES, 2010, p.

17) cerca de três anos após a morte de Mallarmé.

Uma terceira tradução completa as traduções do “ciclo simbolista” mencionadas por

Guimarães. Trata-se do poema “Apparition”, traduzido por Alphonsus de Guimaraens,

incluído na edição de 1938, do livro póstumo do autor, Pastoral aos crentes do amor e da

morte.

O fato de haver apenas três traduções e poucas referências a Mallarmé no período

indica claramente que “parte do simbolismo brasileiro se desenvolveu independentemente do

conhecimento da obra de Mallarmé” (GUIMARÃES, 2010, p. 15). Outro fato importante que

se depreende é a escolha dos textos: são poemas do jovem Mallarmé, anteriores a seus textos

mais herméticos. O poema “Appariton” data de 1863, sendo um dos mais divulgados,

publicado inclusive no volume Poètes Maudits, de Verlaine. Os outros dois datam de 1864 e

foram publicados na coletânea Le Parnasse Contemporain, em 1866. Enfim, como aponta

Antonio Candido ao se referir a sua época de juventude: “o Mallarmé apreciado era o menos

hermético. Pouca gente enfrentava o ‘Coup de dés’, que, aliás, era de difícil acesso” (MELLO

E SOUZA, 1993, p. 118).

Essa situação prossegue mais ou menos inalterada ao longo das décadas seguintes. A

única inclusão de Mallarmé numa antologia de poesia é, em 1936, na antologia Poetas de

França, de Guilherme de Almeida, na qual se encontra, além de “Brise marine”, o mesmo

poema “Apparition” já traduzido por Alphonsus de Guimarães. 
http://www.partes.com.br/cultura/movimentoconcreto.asp




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